sexta-feira, 7 de março de 2014

Especial! Confira entrevista com Wynton Rufer, eleito o maior jogador da Oceania no Século XX.

  Por Carlos Santos e João Victor Gonçalves

  Após quase três anos de atividade, o "Do outro lado da Bola" vive um de seus momentos mais especiais neste 7 de Março. Continuando nossa série de entrevistas especiais, trazemos a palavra do maior jogador de todos os tempos do futebol da Oceania: Wynton Rufer. Antes de trazermos as palavras do eterno "Kiwi" Rufer, falaremos um pouco mais sobre sua vitoriosa carreira.


Wynton Rufer (foto) atuou por 17 anos com a camisa dos "All Whites", marcando 12 gols em 23 partidas disputadas. Foto: Ultimate NZ Soccer

  Filho de mãe maori e pai suíço, Wynton Rufer, sob influência paterna, começou a praticar futebol ainda no colégio. Em 1980, com 17 anos, estreou no futebol neozelandês com a camisa do Stop Out, seguindo para o Wellington Diamonds no ano seguinte. Eleito o melhor jogador jovem do país em 1981 e 1982, chamou a atenção do manager Ken Brown, que o levou para o Norwich City em 1982. Porém, Rufer não chegou a atuar com a camisa do clube inglês, devido a problemas com a legislação trabalhista inglesa. Dessa forma, no mesmo ano voltou à terra natal, onde atuou pelo tradicional Miramar Rangers.


Com apenas 19 anos, Wynton Rufer (direita) figurava entre os convocados neozelandeses para a disputa da Copa do Mundo de 1982. Foto: Last Sticker

  Todavia, 1982 seria um ano marcante para a carreira de Rufer. Com apenas 19 anos, integrou o plantel dos "All Whites" na Copa do Mundo da Espanha. Sua atuação no Mundial chamou a atenção de dirigentes suíços, que o levaram para o FC Zürich. Atuou com os "Leões" por quatro temporadas, marcando 43 gols em 100 partidas. Em território suíço, ainda jogou por Aarau e Grasshopper, antes de se transferir para o Werder Bremen, em 1989.


Rufer (centro) segura a Taça da Copa dos Vencedores de Copa, uma das maiores conquistas de sua carreira

  No clube alemão, Rufer viveu o melhor momento de sua carreira. Comandado por Otto Rehhagel, conquistou seis títulos, incluindo uma Bundesliga, duas DFB Pokal e a Copa dos Vencedores de Copa em 1991/92, competição na qual marcou um dos gols na vitória decisiva sobre o Monaco por 2-0 em Lisboa. Em 1992/93, tornou-se o único oceânico a ser artilheiro da UEFA Champions League, dividindo o posto com o holandês Ronald Koeman, do Barcelona, com 8 gols cada.


Wynton Rufer (direita) em ação com a camisa do Werder Bremen. Foto: Mundialistas y Mitos

  Ao final da temporada 1994/95, já com 32 anos, fechou contrato com o JEF United, do Japão. Com 27 gols em 43 jogos, conseguiu retornar ao futebol europeu ao assinar com o Kaiserslautern em 1997. No 1.FCK, marcou 4 gols em 14 jogos, colaborando na conquista do título da 2.Bundesliga. No mesmo ano, retornou ao futebol neozelandês, onde atuaria por mais cinco temporadas com as camisas de Central United, North Shore e New Zealand Knights, clube no qual se aposentou em 2002, pouco antes de completar 40 anos. Abaixo, confira a entrevista com o maior ídolo do futebol neozelandês:


Wynton Rufer (foto) celebra um gol com a camisa do Kaiserslautern, clube pelo qual foi campeão da 2.Bundesliga em 1996/97. Foto: WYNRS

   Quantos jogos e quantos gols você marcou em sua carreira?
  Atuei em quase 500 jogos no futebol profissional e marquei mais de 200 gols.


Rufer (foto) em ação com a camisa do JEF United; no futebol japonês, marcou 25 gols em 49 jogos. Foto: WYNRS

  Como foi para você defender a camisa de seu país no torneio mais importante do futebol mundial?
  Eu tinha apenas 19 anos e jogar contra o Brasil logo na primeira participação em Copas do Mundo foi muito especial para mim e para a Nova Zelândia.


Com apenas 18 anos, Rufer (quarto em pé, da esquerda para a direita) já figurava entre os titulares da Seleção Neozelandesa em 1981

  Comente mais sobre o jogo entre Brasil e Nova Zelândia, no qual você teve a oportunidade de jogar contra uma das maiores seleções daquela Copa. O que aconteceu naquele jogo?
  Na realidade, tive minha pior atuação com a camisa da Nova Zelândia naquele dia. Era demais para mim jogar contra minhas estrelas favoritas.



Relembre o histórico confronto entre Nova Zelândia e Brasil na Copa de 1982

  Quais foram os benefícios da Copa do Mundo de 1982 para sua carreira e para o futebol neozelandês?
  Eu fui para a Europa e joguei na Suíça. De volta para casa, tive a oportunidade de elevar o futebol neozelandês a um outro nível.


Rufer (foto) levanta a taça da DFB Pokal, um dos seus títulos que conquistou com a camisa do Werder Bremen

  Qual é a principal dificuldade em fazer com que as pessoas se importem com o futebol num país onde o rugby é um esporte muito popular?
  A principal dificuldade é o tamanho de nossa população. Temos apenas 4 milhões de habitantes.


Rufer (direita) tenta promover o desenvolvimento do futebol na Nova Zelândia estando à frente do comando da Escola WYNRS. Foto: Rongotai School

  Qual foi o pior momento de sua carreira?
  Os piores momentos aconteciam quando eu estava machucado. De resto, só me lembro de coisas boas.


Rufer (verde) é um dos maiores ídolos da história do Werder Bremen. Foto: Site Oficial do Werder Bremen

  Qual foi o melhor momento de sua carreira?
  Destaco dois momentos: o primeiro foi a conquista da Copa dos Clubes Europeus Vencedores de Copa com o Werder Bremen em 1992, quando marquei um gol contra o Monaco de Arsène Wenger. O segundo foi conquistar a artilharia da Liga dos Campeões da UEFA com a camisa do Werder no ano seguinte.



Relembre os gols da decisão entre Werder Bremen e Monaco em 1992

  Quem é seu ídolo no futebol?
  Pelé.


Rufer (esquerda) posa ao lado do ídolo Pelé (direita) durante as celebrações do Centenário da FIFA, em 2004. Foto: WYNRS

  Para qual time você torce?
  Para Werder Bremen e Barcelona.


Rufer (direita) posa ao lado do "Kaiser" Beckenbauer (esquerda); ambos são membros do Comitê de Futebol da FIFA. Foto: WYNRS

  Qual foi o gol mais importante de sua carreira?
  Marquei vários gols, então é difícil escolher um para responder sua pergunta.



Rufer foi o autor do gol decisivo na vitória da Nova Zelândia sobre a China em 1982, partida que garantiu a vaga dos "All Whites" no Mundial da Espanha

  Qual foi o apelido que marcou sua carreira?
  The “Kiwi“ Rufer.


Antes do Sorteio dos Grupos da Copa do Mundo de 2006, Rufer (direita) posa ao lado do árbitro italiano Colina (esquerda) e do heptacampeão de F1 Schumacher (centro). Foto: WYNRS

  Qual foi o melhor estádio em que você atuou?
  Destaco o Westfalenstadion, do Borussia Dortmund, e o Camp Nou, do Barcelona.


O craque neozelandês posa ao lado do grande amigo e ex-treinador Otto Rehhagel (direita). Foto: WYNRS

  Quem foi o melhor treinador que você já teve? Por que você o escolheu?
  Escolho Ottmar Hitzfeld e Otto Rehhagel porque eles me escolheram.


Em 2001, Rufer recebeu o Prêmio de Futebolista Oceânico do Século XX (foto) da FIFA. Foto: Ultimate NZ Soccer

  Além das conquistas coletivas, honrarias individuais marcam a carreira de Rufer. O craque neozelandês foi eleito o melhor jogador da Oceania em três oportunidades (1989, 1990 e 1992), além de ostentar o título de futebolista da Oceania no Século XX, ficando à frente do australiano Frank Farina e do caledoniano Christian Karembeu. Em 2005, foi o primeiro futebolista a figurar entre os atletas do Hall da Fama do Esporte Neozelandês. Três anos depois, recebeu a Ordem do Mérito da Nova Zelândia em 2008 pelos serviços prestados ao futebol do país. Atualmente é membro do Comitê de Futebol da FIFA ao lado de Platini, Pelé, Beckenbauer e Bobby Charlton e coordena as atividades da Escola de Futebol WYNRS, que busca revelar novos talentos para o futebol neozelandês.
  

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