sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Conheça um pouco mais sobre o Auckland City, o representante da Oceania no Mundial de Clubes

  Por Rodrigo Augusto, João Victor Gonçalves e Rafael Saltori


  Embora possibilitemos ao nosso leitor o melhor do que ocorre no futebol da Oceania há quase 5 meses, muitos ainda desconhecem o representante do continente no Mundial de Clubes que se iniciará no próximo dia 8, no Japão. Uma equipe cerca de mistérios, que leva consigo toda a esperança de evolução futebolística de um país. Essa é a melhor definição que podemos dar para a equipe sensação dessa competição e causa de tantas dúvidas na imprensa esportiva brasileira e mundial: o Auckland City Football Club.


Com a baía de Auckland em seu escudo, o City tentará fazer história neste Mundial de Clubes


  A equipe sediada na maior cidade da Nova Zelândia foi fundada em 2004, com a proposta de desenvolver o futebol em solo “kiwi” e fortalecer ainda mais a Liga Nacional, então na sua fase embrionária. Desde sua fundação, o ACFC traz como lema o progresso do esporte não necessariamente contando com sua profissionalização já que, pela condição que o futebol possui na Nova Zelândia, muitos jogadores desempenham funções profissionais fora das quatro linhas, caracterizando a equipe como “semi-profissional”, ou “amadora” para os mais radicais.

O maior rival do City, desde sua fundação, é o Waitakere United. O vídeo mostra o duelo entre as duas equipes válido pela O-League 2010/11

  Logo em seu ano de fundação, a equipe azul e branca faturou o Campeonato Neozelandês, batendo na final o seu arquirrival, Waitakere United, por 3-2. No ano seguinte, outra glória na competição nacional trouxe o segundo troféu para a galeria da jovem equipe dos “marinheiros”: vitória sobre os dragões do Canterbury United nos pênaltis, após um 3-3 no tempo normal.

O Canterbury United é o segundo maior rival do ACFC, competindo com os "marinheiros" e o Waitakere pelo posto de maior equipe da Nova Zelândia

  Mas a maior glória do quadro azul e branco de Auckland viria pouco tempo depois: jogando no North Harbour Stadium, a equipe bateu os taitianos do AS Pirae por 3-1 na grande decisão da O-League e faturou pela primeira vez a competição continental. Com a conquista, a equipe estava credenciada a disputar o Mundial de Clubes da FIFA no final do mesmo ano, no Japão.

Em sua primeira partida pelo Mundial de Clubes, derrota para o Al-Ahly (Egito) por 2-0

  Em seu jogo de debut na “terra do Sol nascente”, os alvi-azuis bem que tentaram, mas não foram páreo para o habilidoso time do Al-Ahly, do Egito, perdendo por 2-0. Na decisão do 5º lugar, a equipe mostrou que o amadorismo de suas atividades ainda não permitia aos jogadores baterem de frente com campeões continentais, e a derrota por 3-0 para o Jeonbuk Motors, campeão asiático, selou a despedida dos neozelandeses da competição.

O duelo contra o Jeonbuk Motors foi o de despedida do Auckland no Mundial de 2006

  Na temporada 2006/07, o ACFC consolidou-se como a maior potência do futebol neozelandês ao bater, mais uma vez, na grande decisão do campeonato local, o Waitakere United, por 3-2, garantindo o tricampeonato.  O mesmo duelo selaria a próxima conquista do time, em 2008/09, do qual os “marinheiros” saíram vitoriosos por 2-1.

No último clássico contra o Waitakere United, pela ASB Premiership 2011/12, vitória do ACFC por 3-1

  Na mesma temporada, a equipe teria a glória de faturar o bicampeonato da A-League. Na decisão, os neozelandeses tiveram pela frente Koloale FC, das Ilhas Salomão, e, após aplicarem uma elástica goleada de 7-2 em Honiara, deram-se ao luxo de empatar por 2-2 no Kiwitea Street, trazendo a taça maior do futebol da Oceania mais uma vez para casa.

A vitória sobre o Koloale deu ao Auckland City o direito de disputar o Mundial de Clubes de Abu Dhabi, em 2009

  A vitória credenciou os “kiwis” a disputarem mais uma edição do Mundial de Clubes, desta vez em Abu Dhabi. E foi esta competição que entrou para a história como a maior glória do clube, em toda sua história. Surpreendendo o mundo, o Auckland City bateu os campeões locais no play-off inicial por 2-0, gols de Adam Dickinson e Chad Coombes. Mesmo apresentando um bom futebol contra o Atlante de Cancún, Campeão da CONCAAF, o quadro neozelandês foi batido por 3-0, um placar elástico que não refletiu a atuação do conjunto.

A vitória do Auckland sobre o Al-Ahli foi uma grata surpresa ao mundo do futebol

  Como forma de premiar sua belíssima participação, a equipe venceu a decisão do 5º lugar batendo, na disputa, o então desconhecido TP Mazembe, da República Democrática do Congo, por 3-2, com dois gols de Jayson Hayne e um de Riki van Steeden.

Mesmo jogando um bom futebol, os neozelandeses não foram páreo para o Atlante

  A temporada de 2010/11 significou o retorno da hegemonia do lado azul de Auckland no futebol da Oceania. Apesar de perder a final do Campeonato Neozelandês (ASB Premiership) para o Waitakere United, a equipe voltou a dominar a O-League, batendo o Amicale FC, de Vanuatu, na grande decisão com um placar agregado de 6-1 e faturando novamente o direito de defender seu continente no Mundial de Clubes do Japão. A partir daí, o melhor clube da Oceania da última década (segundo a IFFHS) terá mais um grande desafio em sua história gloriosa: tentar, ao menos, uma vitória na “terra do Sol nascente”, mostrando para o mundo a evolução que o futebol da Nova Zelândia teve nos últimos anos.

O Kiwitea Street foi palco da conquista do 3º título da O-League do City

  O clima de ansiedade que aflige todos os torcedores da equipe, bem como os amantes do futebol da Oceania, aumentou momentos antes do comandante Ramón Tribulietx divulgar o rol de convocados para a competição intercontinental.

O jovem Ramón Tribulietx terá a missão de comandar os neozelandeses no Mundial

  A lista era cercada de expectativas, já que os nela inscritos teriam a honra de disputar uma competição ao lado de craques como Messi, Xavi, Neymar, Paulo Henrique Ganso e Suazo. Uma das possíveis armas da equipe era o jovem brasileiro Halili Nagime, atacante de 18 anos.  Mas a falta de experiência do atleta no cenário internacional fez a difereça, e Tribulietx preferiu apostar nos jogadores de maior experiência em duelos internacionais para a disputa do certame.

Teruo Iwamoto, um dos maiores jogadores do futebol japonês, acredita que o ACFC possa chegar às quartas-de-final do Mundial de Clubes

  O grande destaque da equipe para a disputa do mundial é o “maestro espanhol” Manel Expósito, melhor jogador da ASB Premiership, que possui em sua carreira passagens pelas categorias inferiores do FC Barcelona, além de defender times como Atlético de Madrid e Benidorm, em território espanhol. Dentre suas maiores façanhas, está a de estar presente no duelo de estreia de Lionel Messi com a camisa do Barça, contra o FC Porto, em 2003.

Manel Expósito é a grande esperança de gols do Auckland City no Mundial

  A possível oportunidade de reencontrar o craque argentino anima Expósito, que promete se entregar ao máximo na disputa jogo a jogo para fazer história com o Auckland. Apesar da condição “semi-profissional” da equipe, o Auckland pode se gabar de destaques como seu arqueiro, Jacob Spoonley, jovem promissor que envergou a camisa dos “All Whites” durante as Olimpíadas de Pequim, e David Mulligan, meio-campista inglês que já defendeu clubes da 2ª Divisão de seu país-natal, como Barnsley e Doncaster Rovers.

A muralha dos "marinheiros" no Mundial tem um nome: Jacob Spoonley

  Abaixo segue a lista de convocados do Auckland City para a disputa do Mundial de Clubes:

  Goleiros: Jacob Spoonley, Liam Little e Paul Gothard.
  Defensores: Ian Hogg, Sam Campbell, Angel Berlanga, Chad Coombes, James Pritchett, Ivan Vicelich, Andrew Milne, Simon Arms e Thomas Doyle.
  Meio-campistas: David Mulligan, Alex Feneridis, Albert Riera, Adam McGeorge e Andreu Guerao.
  Atacantes: Manel Expósito, Luis Corrales, Daniel Koprivcic, Adam Dickinson e Emiliano Tade

  Pensando já nos desafios que o campeão japonês irá encontrar em seu duelo contra o Auckland City FC, o “Do outro lado da Bola” traz uma análise dos possíveis titulares para o duelo inicial da equipe oceânica no Mundial de Clubes, que pode lhe garantir uma posição de destaque no cenário internacional.

O camisa 3 Ian Hogg é a arma do City pelas laterais, tanto defensiva quanto ofensivamente

  Jacoob Spoonley: arqueiro de alta qualidade, possui segurança debaixo dos postes apesar de sua idade. Acreditamos que possa segurar ataques massivos dos rivais durante o Mundial de Clubes, sendo peça fundamental no esquema defensivo da equipe neozelandesa.
  Ian Hogg: o lateral-esquerdo do ACFC já teve a honra de defender a Nova Zelândia no Mundial Sub-20 de 2007 e nos Jogos de Pequim, sempre tendo apresentado um bom futebol que lhe garante, por merecimento, uma vaga no time principal dos All Whites. Sabe apoiar sua equipe ofensivamente, embora seu posicionamento se mostre como uma importante arma defensiva para barrar os ataques rivais.
  Angel Berlanga: o zagueiro espanhol de 24 anos já está acostumado ao estilo de jogo europeu, o qual aprendeu durante sua formação no Rayo Majadahonda. Mostra-se como peça fundamental da dupla de zaga da equipe, tendo atuações seguras tanto na ASB Premiership quanto na O-League.

O capitão Vicelich colocará toda sua experiência e raça em campo para ajudar sua equipe

  Sam Campbell: ao lado de Berlanga, forma a dupla de zaga titular da equipe. Por sua juventude, sua presença entre os 11 iniciais no Mundial ainda é questionável, dada que sua função pode ser realizada pelo experiente Ivan Vicelich, grande destaque do setor defensivo do quadro azul e branco de Auckland.
  Ivan Vicelich: o volante e capitão do ACFC é o jogador de maior experiência da equipe. Ostenta o recorde de ser o jogador com maiores aparições na seleção neozelandesa tendo, desde 1995, quando estreou na derrota de seu país frente o Uruguai por 7-0, defendido sua seleção nacional por 73 vezes, marcando 6 gols nesse período. Além de comandar o país na campanha invicta da Copa da África, acumula passagens pelo Roda JC e RKC Waalwijk, ambos da Holanda. Promete comandar a distribuição de jogadas da equipe, além de oferecer a segurança necessária à zaga marinheira, podendo fazer a função de líbero, à frente da linha de zaga.
  Albert Vidal: um dos coringas da equipe, o espanhol revelado nas categorias de base do FC Barcelona se consolida como um dos melhores passadores da ASB Premiership. Apesar de jogar mais recuado, ocupando a zona central como um volante, o jogador possui qualidades ofensivas que permitem interligar as jogadas da equipe. Passes rápidos e velocidade nos contra-golpes são as armas fundamentais de Vidal.

Dave Mulligan tentará repetir seu sucesso na última Copa neste Mundial de Clubes

  Dave Mulligan: apesar de nascido em Liverpool, Mulligan defende a seleção neozelandesa, tendo sido um dos heróis do país na campanha no Mundial da África do Sul. Seu posicionamento como meia-direita faz com que as melhores jogadas ofensivas da equipe sejam criadas por esse setor do campo. Seus 29 anos já permitem uma maior experiência nesse tipo de competição, dando a ele a vantagem de fazer a bola chegar aos lugares desejados, ao invés de correr freneticamente atrás dela, se desgastando fisicamente. Um bom jogador a ser observado nas linhas do ACFC.
  Manel Expósito: o “matador” da equipe, Exposito comandará o ataque “kiwi” na competição Com a experiência de ter jogado ao lado de Messi e companhia nas categorias de base do Barcelona, Manel é a grande esperança de gols de sua equipe no certame. Seu faro de artilheiro tem comandado o Auckland nas últimas competições e é o grande referencial da equipe dentro da área. Um centroavante que promete deixar sua marca no Mundial!
  Luis Corrales: o meia-atacante costarriquenho, tanto por suas características físicas quanto por sua habilidade, pode ser apontado como a principal arma da equipe em suas jogadas de conexão entre meio e ataque. Além de fazer boas jogadas individuais, o centro-americano tem na velocidade e nas inesperadas finalizações boas armas para ajudar sua equipe a conquistar uma vitória na competição.

Corrales tem sido um dos grandes destaques do Auckland City na ASB Premiership

  Treinador - Ramón Tribulietx: o comandante espanhol, natural de Barcelona, já esteve presente no Mundial de 2009 como auxiliar, tendo experiência nesta competição. Assumiu o comando da equipe em Julho de 2010 e, desde então, tem feito um bom trabalho, faturando a O-League na última edição e recolocando o ACFC entre os destaques da Oceania.

Faça como os apaixonados torcedores do Auckland City e entre no clima para este Mundial de Clubes!

  Após conhecer um pouco mais da trajetória do Auckland City até chegar ao Japão, esperamos que os “marinheiros” possam contar com sua torcida e carinho durante esta competição. O primeiro desafio dos neozelandeses na mais importante competição interclubes do planeta ocorre na próxima quinta-feira, 8, às 08h45 (horário de Brasília) contra o campeão japonês, que será conhecido no próximo final de semana (provavelmente o Kashiwa Reysol, atual líder do campeonato). A transmissão do duelo será feita pelos canais Sportv e Esporte Interativo. Independentemente do resultado, os neozelandeses chegam na competição com seu dever cumprido, representando o desenvolvimento do futebol oceânico nos últimos anos!

Um comentário:

  1. Ótima matéria! Torço muito para o Auckland City no Mundial de Clubes!

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